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14 de out. de 2018

Como eu descobri a fibromialgia

Olá pessoal, como passaram?

Continuando nosso bate-papo... 


Diagnóstico é uma coisa meio estranha, não é? Às vezes você não quer saber, entra em pãnico com algumas possibilidades, enquanto em outras traz um alívio imediato por colaborar na solução dos seus problemas. 

Com a fibromialgia foi alívio tê-lo. Não que eu tenha ficado tranquila por saber que tenho essa síndrome mas por entender o que se passava comigo, encontrar as respostas para tantos problemas e comportamentos inesperados e, principalmente, começar um protocolo para sair da crise e controlar o problema. Fibromialgia é assim: não tem cura mas tem controle. É aceitar o problema, trabalhar nas causas (ou gatilhos) e seguir a vida.

Lá trás
Há muito tempo eu vinha sentindo muitas dores musculares - um dia perna, outro braço, outro quadril - e a explicação era sempre a mesma: muito stress e muito treino.  O stress ainda era corroborado com algumas crises de ansiedade e pânico, mas que sempre eram "explicadas" pelo meu jeito de querer tudo certinho, de não aceitar fazer menos do que o máximo, de querer abraçar o mundo. Eu acabei me acostumando com esse diagnóstico e convivi muito mas muito tempo com isso. 

2018
Esse ano, com um problema de saúde muito grave na família, minha vida virou de pernas para o ar. De um dia para o outro tudo, absolutamente, tudo mudou e não senti o quanto aquilo também havia me mudado. Depois de uns meses, quando tudo voltou a entrar nos eixos e eu retomei minha vida, veio a contar para meu corpo pagar, por meses de descuido, desatenção e priorizando outra situação e esquecendo de mim mesma. 
Os sintomas? Muita mas muita dor pelo corpo, sem precisar exatamente onde era (doía para passar um creme no corpo, pentear os cabelos, piscar, vestir uma calça, escrever e digitar); cervicalgia; inflamação no psoas; queda de cabelos; aumento de peso; dificuldade em dormir; falta de concentração; uma fadiga enorme; depressão e ansiedade. E foram esses dois últimos que realmente me assustaram quando perdi a vontade de praticar esportes. A corrida e a natação sempre foram meus escapes para momentos difíceis, tanto que minhas melhores provas, meus melhores tempos foram sempre depois de algum acontecimento difícil. Dessa vez não... dessa vez tudo me cansava, me enjoava, criei centenas de bodes com a corrida, o cheiro do cloro me irritava. E isso não era normal e reconheci que algo definitivamente estava errado e que não era apenas "estresse", "burn out", "cansaço". Era biológico também. 

Diagnóstico
Procurei meu médico, fizemos uma bateria de exames e fui para um reumatologista. Como já tive doença autoimune, foi um "long shot" para descobrir o que estava acontecendo e bingo! Recebi o diagnóstico da fibromialgia. Não vou negar que a sensação de alívio foi bem maior do que a tensão do que estaria por vir. 
Quando você sente dores que não pode explicar, mil coisas vem a mente, inclusive o pior. E a mente é uma máquina que trabalha bem a favor e contra você - depende do que você escolhe.

Atividade física e treinos

A primeira "bronca" do médico foi por eu ter parado de treinar. Além de eu não ter vontade, tudo doía para nadar, pedalar e correr. Não evoluía, nadava nem 100m e queria parar...tudo isso me frustrava ainda mais. 
Quanto a dor, eu deveria insistir pois a tendência, com o tratamento, seria diminuir. E a vontade, eu teria que lidar com a minha mente.
O primeiro mês foi assim...TERRÍVEL. Confesso que foi um trabalho sobrehumano fazer minha cabeça entender que aquela dor não era lesão e que ia passar depois de 15min, 20min e, me convencer a chegar nesse tempo. Mas eu sabia que se insistisse, seria melhor pra mim. E assim foi.


Alimentação, suplementação e medicamentos
Se eu já tinha uma vida regrada, agora é 10 vezes mais. Mas disciplina não é o problema e se o alívio e o controle podem estar nas minhas mãos, não posso reclamar de nada.
Não vou entrar em detalhes sobre o que eu uso pois na fibromialgia o tratamento é muito individualizado e tem que ser prescrito por especialista, assim como uma dieta antiinflamatória deve ser prescrita por uma nutricionista. 
Mas em uma próxima conversa contarei pra vocês o que eu levo na minha "marmitinha fit"  e um pouco mais sobre minha alimentação pois o resultado disso tudo se refletiu num todo, não só no controle da doença mas na disposição, no rendimento, no emagrecimento e, principalmente, na consciência do que estou colocando pra dentro de mim, me cuidando e respeitando.

Daqui pra frente
Como todo mundo, sempre há dias bons e ruins. Mas saber lidar com todos eles é a chave do sucesso.
Agora é arrumar uma prova de triathlon, corrida, travessia para focar e voltar aos bons tempos. É seguir com a rotina, reconhecendo os limites e capacidades, me autoconhecendo cada dia mais, valorizando o que me faz bem e aprendendo a lidar com o que e quem não faz. 

Até a próxima! Se cuidem e fiquem bem!!

7 de mar. de 2016

Treinar a cabeça para a prova-treino

Olá pessoal,

Há alguns dias venho conversando com o meu treinador, San Palma, sobre "provas-treino" e como encaixá-las no meio da temporada para a prova-alvo, sem querer competir e sim usar o pace de treino visando o objetivo maior.


www.foto7.com.br
A primeira "prova-treino" que escolhi foi a meia maratona de São José dos Pinhais (que terá post logo por que vale muito a pena!!), minha cidade natal e cujas ruas compõem meu percurso de treinos. São subidas e descidas longas, curtas, contínuas, fortes, brandas...trajetos sempre duros. Quis corrê-la por ser em casa, bem organizada e desafiadora porém não fui pra tempo mas sim para me testar. Corri dentro do proposto: pace, frequência cardiaca, concentração, exatamente o esperado para um inicio de temporada, vinda de um ano pesado e de um "bode" com a corrida.  Hoje, segunda-feira, treinei normalmente (corrida e natação) e durante o treino de corrida me perguntaram: "mas já está correndo??? Fez a meia maratona ontem!!". 

Então vamos lá, vou aproveitar a explicação didática e resumida do San Palma sobre o assunto:

Prova-treino é uma prova que encaixa no meio da periodização da prova-alvo. Pode-se competir antes desta mas tem que entender que as provas durante a periodização serão provas-treino e não provas-alvo. Será pra treinar pace, ritmo de prova, distância - que foi meu caso nessa meia maratona.

Se o propósito for usar a prova pra treinar (o famoso treino de luxo) não faz sentido descansar depois, porque é um treino como outro qualquer. É necessário uma recuperação ativa mas não um day-off. Assim como na véspera de prova não precisa descansar muito também porque ela é prova treino e não prova-alvo. 

A prova treino é importante para o emocional e psicológico; para treinarmos a ansiedade para a largada;  a logistica com suplementação, vestuário e equipamentos;  a alimentação, os detalhes antes da prova (chegar, instalar tudo, etc). E vamos combinar que tudo isso pode tirar o sono da gente não somente na noite anterior, como várias antes!!! E ninguém quer sacrificar uma temporada inteira de preparação para detonar tudo uma noite antes, né? 

#confiaevai by San Palma
Em outro post falei (esse aqui) sobre o "feeling" para correr, lembram? Então, usei o feeling para correr esses 21km. Agora é hora de testar tudo, é o momento de se conhecer e organizar os detalhes. Então corri sem crônometro. Na verdade, estava com o relógio mas tapei o visor, ou seja, não tinha como saber nada. Confesso que não foi fácil. Não mesmo!! Era automático olhar para ele a cada km, querer ter dimensão da velocidade, do pace. E foi então que entendi que teria que confiar no meu feeling para ditar meu ritmo e seguir em frente, ouvindo meu corpo, sentindo as batidas do coração, atenta á respiração e a sensação subjetiva de esforço. E não é que deu certo? Mantive dentro do ritmo esperado, mesmo com todas as subidas e descidas, o calor e o sol, e a expectativa da primeira prova de corrida do ano.

Duas coisas foram imprescindíveis para encaixar uma prova-treino antes da prova-alvo: foco e disciplina. Foco no objetivo maior lá na frente e disciplina para fazer seu treino de luxo exatamente um treino e não uma competição. Corredores irão passar por você, as suas pernas vão te convidar para acelerar o passo, o cardiorrespiratorio vai tentar te convencer que você pode ir mais rápido e aí caberá a você mostrar quem manda e qual é o seu objetivo. Para quem não é tão xiita, use o relógio, cronômetro, Garmin para se manter dentro do proposto por seu treinador. Quem quiser se desafiar um pouco mais, corra sem ou então cubra o visor. É uma experiência interessante para qualquer corredor. 

Créditos: Rick Nogueira- www.foto7.com.br
Adquirir domínio sobre si mesmo, sua velocidade, seu corpo e sua mente é importante para o dia da prova maior. Alguns acompanharam a maratona de Frankfurt comigo e sabem do nível de concentração que corri (ainda escreverei exatamente sobre isso!) essa prova e a partir do momento que você se torna imune ao efeitos exteriores , sua performance só ganha com isso. Converse com seu treinador, que saberá lhe auxiliar na sua periodização e como encaixar provas-treino no ciclo para sua prova-alvo. 

A performance na corrida é somatória não só dos números da planilha e dos cálculos nutricionais mas também da sua percepção sistêmica, do seu autoconhecimento de forma global e, principalmente, do seu trabalho mental. Faça sua mente trabalhar a seu favor.

Bons treinos e até a próxima (já já sai o post contando tudo sobre a meia maratona)!

28 de fev. de 2016

O feeling pessoal e os números

Olá pessoal,


Sabe aquele dia que você não espera nada do treino e ele sai redondinho? Será que é o treino te surpreendendo ou será que não é você mesmo mostrando que tem um bom autoconhecimento? Ouvir o corpo é fundamental para a evolução de qualquer treino e a conquista do seu objetivo.      

O coach San Palma, meu treinador, ensinou que devemos ouvir mais o corpo do que os números. Sempre fui adepta dessa teoria. Pace, frequência cardíaca, velocidade, potência...são importantes? Sim, claro! Frequencímetros, medidores de potência, podômetros, GPS...é a tecnologia a favor do esporte e devem ser considerados. Para os atletas de rendimento são poderosas ferramentas. Entretanto, nada disso terá eficácia se o atleta não conhecer seu corpo, as alterações que o treino provoca nele, os fatores que alteram a sua performance e seu rendimento, os "ups and downs" da rotina e como lidar com tudo isso e usar a seu favor.

Se considerarmos a grande parcela de corredores, principalmente amadores, muitos esquecem de prestar atenção na sensação subjetiva de esforço, de perceber o ritmo exato que faz a FC aumentar, a força nas pernas necessária para pedalar mais forte, o técnica da braçada que faz a remada ser mais consistente.  E tudo também varia do dia do treino. O San sempre fala que se você está em um dia bom, sem muito estresse, alimentação correta, boas horas de sono, está bem de saúde, o atleta irá render; já se a noite foi mal dormida, houve estresse no trabalho, preocupações, está com alguma infecção no organismo, fez alguma refeição fora do programado, infelizmente isso será refletido nos treinos.

Em uma ocasião peguei uma intoxicação alimentar que me derrubou. Fiquei três dias off e voltei aos poucos, dosando os treinos e executando-os a medida que me sentia confiante, porém na bolha da zona do conforto (porque não era o momento de querer ousar nada, né?).  Penso que treinar pouco é sempre melhor do que não fazer treino algum, desde que haja condições para esse "pouco" também. Recuperando-me como um conta-gotas, fui seguindo e percebendo que a cada dia o corpo dava sinais de progresso. Mínimo, mas dava. Até que duas semanas depois havia um longo de respeito e eu realmente não queria (e nem podia) mais perder treino em função do calendário de provas e dos objetivos buscados. 

Então chegou o primeiro longo da lista: corrida. A intenção era ser meio Forest Gump, sabe? Correr e apenas correr, ouvir o corpo e deixar ele ditar o longo que seria feito (ótimo se fosse inteiro!) e tudo evoluiu bem, até que você está pra fechar a distância e quer dar pulos como o Rocky na escadaria da prefeitura da Philly! hahahaha. Já o segundo longo sequencial, natação, foi no embalo da endorfina da corrida e após muitos e muitos azulejos contados, terminou. 


É a velha máxima: men sana in corpore sano. Cabeça e corpo tem que trabalhar em conjunto ou o resultado não virá. Atleta saudável tem rendimento e resultado, porém o primeiro passo para isso é se autoconhecer, compreender seus limites e saber encaixar os treinos dentro da sua capacidade. Se não é o dia, não force. Melhor parar um dia do que comprometer uma temporada ou, pior, colocar em risco a própria saúde. 

E não há planilha, manual ou receita de bolo que ensine como se conhecer... o feeling é na prática, na sensibilidade dos treinos diários, nos erros e acertos, no bons e maus treinos. Aliás, não existem treinos ruins, há aqueles que ensinam mais e outros menos. Na dúvida, converse com seu treinador e, juntos, busquem a melhoria contínua.

A linha entre a persistência a teimosia é tênue e você é o único capaz de distinguí-la. 

Bons treinos e até a próxima!