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1 de mar. de 2016

Um pedacinho da Polônia

Olá pessoal,

Vamos falar um pouquinho de turismo e cultura? Afinal o esporte também nos leva a isso... Quantas provas não fazemos por lugares e cidades diferentes, treinos em regiões turísticas, ou viajamos para atrelar corrida/turismo? Sempre é bacana conhecer mais opções!!

Minha descendência polonesa é inegável, basta olhar o sobrenome (as bochechas rosadas e o gosto natural pelas cores), porém também é minha paixão por essa cultura tão rica e valiosa. Sempre que posso visito exposições, leio livros e artigos, além das memórias e histórias compartilhadas em casa. É raíz, é herança, é laço de sangue, ou seja, inevitável não se interessar. E complementando as minhas visitas e vivências na cultura polaca, no último domingo visitei a Casa da Cultura Polonesa Padre Karol Dworaczek, na Colônia Murici, em São José dos Pinhais, onde também está em cartaz a exposição "Meu coração de polaco voltou", do Paulo Leminski (que aprecio muito). 

Portal polonês na entrada da Colônia
Colônia Murici
A colônia de poloneses fica na área rural de São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba. Distante 15km do centro da cidade e aproximadamente 15km do centro da capital paranaense.


Fundada em 1878, é a mais expressiva comunidade de origem polonesa no Brasil. Procedentes da Galícia e da Prússia Oriental (região da Cracóvia), cerca de 60 pessoas estabeleceram-se na Colônia que surgiu na terceira etapa da imigração polonesa do Paraná. Abriga também italianos vindos de Trento. 

Depois de abrir a mata fechada por araucárias (pinheiros, árvore típica da região), era preciso fabricar as residências. Estas foram feitas com os troncos destas árvores. Como não tinham ferramentas adequadas, o jeito foi usar a técnica aprendida na Europa (chamada de Dom Weglow, típica da região das aldeias do sul da Polônia), na qual as casas eram feitas em módulos de encaixe, sem pregos, e revestidas com uma “argamassa” especial.

No país de origem, a religião católica era predominante (92%). A necessidade espiritual de um local apropriado para os encontros religiosos fez com que se erguesse uma igrejinha de madeira (por volta de 1881-1884), feita pelos próprios moradores. Mas, foi com a vinda, em 1900, do primeiro pároco, padre Karoll Dworaczek, que se deu início a igreja de alvenaria da colônia, que é hoje o prédio da Paróquia Sagrado Coração de Jesus.

Dedicam-se principalmente ao plantio de hortifrutigranjeiros, criação de aves, bovinos e suínos. Destaca-se a Igreja do Sagrado Coração de Jesus com sua arquitetura e pinturas internas, alguns exemplares das casas de tronco – “Dom” e outras em alvenaria com afrescos em suas paredes, a Casa da Cultura Polonesa (antiga escola) e nos fundos o cemitério, com jazigos dos primeiros moradores da região, além de manter viva as tradições.
Como vários desses descendentes eram de origem rural nos seus países de origem, os imigrantes e descendentes que se instalaram na Colônia Murici se dedicaram à agricultura, que até hoje é o setor econômico predominante na região.(Fonte: site Prefeitura SJP).

Como chegar
Automóvel: via Av das Torres/ BR 376, acesso pelo trevo do Bradesco em direção ao Caminho do Vinho. Ao chegar no entroncamento com a colônia Mergulhão (italianos) basta seguir em frente, passar pelo portal polonês e seguir as placas.  
Ônibus: Linha Murici no terminal urbano - só aceita cartão transporte. 

A Casa da Cultura Polonesa fica na Rua João Lipinski, 671, ao lado da Igreja da Murici.


Casa da Cultura Polonesa Padre Karol Dworaczek



Ela conta atualmente com 3 espaços para visitação: exposição fixa sobre a agricultura polonesa e a casa montada nos moldes polacos e a exposição itinerante (já percorreu Porto Alegre e Curitiba) de Paulo Leminski.
O acervo das exposições fixas foi doado pelos imigrantes e descendentes da própria colônia.
Aberta a visitação pública somente aos domingos, das 10h às 16h. 

Agricultura e vida no campo

Acervo sobre a agricultura
Fundada em 1878 por imigrantes poloneses, a colônia Murici tem na agricultura sua maior fonte de renda. Os primeiros produtos a serem produzidos em solo paranaense foram a batata inglesa, a batata doce e o centeio, com sementes trazidas da Polônia.

 Há em exposição vários instrumentos utilizados na agricultura, como o arado, picador de palha, gadanha, mangual, pulverizador, moedores, foices, tesouras. Todos estão numerados e há a legenda para o visitante saber o nome do instrumento, data e quem doou (poderia ter a explicação de alguns também!! Eu tive a sorte de ir com a minha mãe, que lembrava de alguns que seu avô usava e pode me explicar). 




 Esses são apenas alguns dos vários instrumentos expostos: debulhador de milho, amolador de facas, tesoura do início de 1900 e o marcador de gado.   Incrível o quanto era possível ser feito com instrumentos tão simples. E assim percebemos o quanto a evolução foi rápida no século XX e XXI. 

A Casa Polonesa
No andar superior há uma casa tipicamente polonesa montada: quartos, sala, copa, cozinha. Todos devidamente mobiliados e decorados nos típicos moldes poloneses, incluindo enxoval e algumas peças de vestuário (vestido de noiva!!), além dos utensílios de cozinha e lavabo. 

Armário com as latas de mantimentos e a decoração de papel que imitava as toalhas rendadas.

Vestido de noiva a esquerda, vestido ao centro e um roupão a direita

Copa/ Sala

Representação da religião católica na vida polonesa

Chapeleira e armário localizados na entrada das casas
É possível perceber a riqueza de detalhes nos bordados das toalhas, lençóis, colchas, bem como das roupas, além dos móveis trabalhados (na madeira), demonstrando o quão valiosa é a arte na cultura polaca. Mínimos detalhes cuidadosamente trabalhados, 

Exposição Meu Coração de Polaco Voltou - Paulo Leminski

Ela retrata a fase polaca do Leminski e conta com a história da família Leminski, chegada no Paraná, a imigração polonesa, além de um vídeo muito interessante sobre a situação da Polônia e dos seus cidadãos na época das migrações, narrado pelo próprio autor. 

Ainda, há a exposição de alguns de seus textos, tanto em português quanto em polonês, além de algumas obras e fotos do autor e da família. Interessante o quadro com a árvore genealógica de Paulo Leminski, logo no início da exposição.

Atenção, pois a exposição fica aberta até o dia 11/04/16. 



Sugestão
A Casa da Cultura Polonesa é um afago à paixão e ao amor pela cultura polaca. É ver a riqueza desse povo exteriorizada e valorizada. Sem dúvidas, uma visita que encanta os olhos e alma. Entretanto acredito que pequenos detalhes poderiam deixá-la ainda melhor!
  • Senti a falta de um espaço que falasse sobre a Polônia, desde a história (sim, muitos não conhecem além dos livros de História do Ensino Fundamental e Médio), a geografia, as principais cidades, pontos turísticos, enfim, um resumo sobre esse país que tanto a contar. 
  • Na exposição sobre a agricultura na colônia Murici, poderia haver imagens (vídeos, fotos) ou apenas um explicativo sobre a função de alguns instrumentos. Seria bem interessante mostrar na prática a funcionalidade daquele acervo incrível.  E, ainda, deixar um pouquinho mais explícito o nome de cada um. 
  • Sugestão de próxima exposição: trajes típícos e folclore.

Vista lateral/fundos da Casa da Cultura Polonesa

O que mais fazer na colônia Murici
Quem estiver em Curitiba e região, vale a pena o passeio e a visita. 
Na região também é possível encontrar restaurantes de comida caseira e também típicas, incluindo café colonial. Para os esportistas, a região garante ótimos treinos de corrida trailrun (chão batido) e mountain bike, com subidas, descidas e paisagens lindas. 

Inclusive, no próximo dia 06/03, acontecerá a tradicional Festa da Colheita. A Festa é uma expressão religiosa e cultural criada por descendentes de imigrantes poloneses e italianos, é um evento de agradecimento pelas boas colheitas.  A programação da 30ª Festa da Colheita será iniciada com missa solene, seguida pela tradicional cavalgada e desfile em agradecimento a colheita. No almoço serão servidas comidas típicas da região – como pierogi (um tipo de pastel cozido), risoto, churrasco e costela fogo de chão.

Os vídeos da exposição e da Casa da Cultura Polonesa estarão em breve no meu canal do Youtube!!
Bons treinos, bom passeio e até a próxima!


Todas as fotos e imagens são arquivo pessoal e tem os direitos reservados.


8 de fev. de 2016

Turismo em Curitiba, cultura e corridas - Bosque João Paulo II


Olá pessoal,

Nesse Carnaval me propus a "turistar" por aqui mesmo. Visitar locais que há tempos não ia, rever outros que gosto muito, enfim, dar uma olhada no que Curitiba tem a oferecer em um feriado prolongado. Além do mais, redescobrir pontos turísticos além de ser um grato presente a nós mesmos, pode ajudar a quem não conhece Curitiba, a conhecê-la com outros olhos. Quantos de vocês não vem para cá para maratona, meia maratona, triathlon no litoral ou a trabalho, ou simplesmente a passeio? Então, bora conhecer um pouco mais!

Como estou no resgaste pelas tradições culturais familiares, ou seja, conhecer um pouco mais das culturas das quais sou descendente:  polonesa e austríaca/alemã.  Pensei no que fazer e eis que o Bosque do Papa me chamou. Chegando lá, parece que ele me olhou e disse, em tom saudoso e nostálgico:


"Há quanto tempo você não vem me ver???" E a resposta foi rápida: "há tanto tempo que já está na hora de dar um abraço apertado"

Visitar o bosque do Papa é uma viagem na cultura polonesa e um acalento para nós, da geração mais jovem e distante da terra que carregamos no sangue.

Arquivo pessoal

BOSQUE PAPA JOÃO PAULO II

Bom, pra quem não conhece, o Bosque João Paulo II fica no bairro Centro Cívico, atrás do Museu Oscar Niemayer e tem duas entradas: uma justamente saindo do MON e atravessando o ParCão, pela Rua Vieira dos Santos, e outra pela Wellington Viana com acesso pela Rua Mateus Leme. 

Se entrar pela rua Viera dos Santos, terá o prazer de percorrer uma pequena trilha pavimentada por dentro do bosque, até chegar ao miolo onde está o museu da cultura polonesa, a capela, os paióis e a administração (ah, e os sanitários!).  Já pela outra entrada, o acesso é direto passando pelo portal de homenagem ao bosque (cuidado ao cruzar a ciclovia!). A linha turismo tem a parada nessa entrada.

História do bosque

Arquivo pessoal
O Bosque João Paulo II, inaugurado em dezembro de 1980, não só eternizou a passagem do Papa por Curitiba em junho de 1980 quando ele visitou a casa típica polonesa montada durante a solenidade no Estádio Couto Pereira, como presenteou a cidade com uma linda homenagem à colônia polonesa.

O projeto do paisagista Burle Marx, que fiscalizou pessoalmente os trabalhos de limpeza do Bosque, teve como prioridade a preservação da mata nativa, além do plantio de novas mudas de pinheiros (Araucária angustifolia). Outro destaque são os plátanos (Platanus orientalis), com porte bem desenvolvido e introduzidos no local há dezenas de anos.

  • Área: 48.000 m2
  • Localização: Rua Mateus Leme X Rua Vieira Santos X Rua Mário de Barros
  • Bairro: Centro Cívico
  • Ano de Implantação: 1980
  • Acesso: Gratuito
  • Fauna: Os pássaros se fazem presentes através de sabiás, bem-te-vis, coleirinhas, chupins, tico-ticos, canários-da-terra, sanhaços e pica-paus.
  • Flora: Plátanos, araucária, cedros, pitangueiras, carvalhos, cerejeiras, ipês, tarumãs, uvas do japão.
 (Fonte Prefeitura de Curitiba)

O que fazer

No "centrinho" do bosque, nomemorial da imigração polonesa, há algumas casas típicas polonesas, onde estão o museu, capela, paiol com instrumentos de trabalho, administração. Elas ilustram o início da colonização polonesa em Curitiba e região ( 1878) e eram feitas de troncos de pinheiros encaixados, um a um. A maioria servia como paiol.

arquivo pessoal


 As de coloração branca eram moradia e assim se diferenciavam das de madeira, por terem barro fechando os encaixes das madeiras e a pintura com cal para conservar o calor dentro da residência.

Casa com paredes calfinadas para
conservar o calor. 

Em uma das casas, que foi visitada pelo Papa em sua vinda a Curitiba (1980), foi criada a capela em homenagem à Virgem Negra de Czestchowa, que é padroeira da Polônia. Também conhecida como Nossa Senhora do Monte Claro, a ela são atribuídas inúmeras graças, inclusive a proteção da Polônia durante o comunismo um pouquinho mais sobre ela). Esta casa foi montada no estádio Couto Pereira, onde houve a missa campal e logo depois foi montada no bosque e visitada pelo Papa.

Arquivo pessoal
Há também o museu agrícola, com utensílios usados na lavoura e no dia a dia do início da colonização (como a pipa de azedar repolho, carroça, moedor de milho, amolador de pedra, etc.), e a reprodução de uma casa e alguns mobiliários domésticos (proibidos de filmar ou fotografar). Mas já era possível perceber o cuidado com detalhes, acabamentos em meio a simplicidade do povo polonês. 

Pipa de azedar repolho

Instrumentos em geral


Andando mais uns metros, há um memorial ao Papa João Paulo e também uma estátua de Nicolau Copérnico, cientista polonês.

Nicolau Copérnico
Memorial em homenagem a João Paulo II
Para quem gosta de lembrancinhas e souvenirs, há a lojinha com produtos artesanais locais, como as Pêssankas, bonecas, biscoitos, objetos decorativos. 

E é claro que no bosque João Paulo II também acontecem comemorações e festas típicas polonesas, com apresentação de grupos típicos, além da culinária polonesa conhecida pelo pirogue e os doces típicos. A Páscoa, comemoração da vinda do Papa João Paulo II a Curitiba, Padroeira da Polônia e São Nicolau são algumas dessas comemorações (e vamos acompanhar todas elas!!!). 

Saindo de lá, quem quiser pode passar pelo MON - Museu Oscar Niemayer. Tem duas exposições bacanas de fotografia: Gluck, o tempo e a imagem, de Guilherme Gluck e a Polaroids, de Charif Benhelima. 
Quando chegamos ao MON, após o bosque, as filas para comprar ingressos e para entrar, estavam enormes. Deu aquela desanimada... Eu imaginei que estaria cheio por ser o primeiro domingo do mês (costuma ser gratuita a entrada porém agora é somente até as 13h!!!!) mas era movimento mesmo. 
Fica para a próxima! 

Como chegar no bosque
Linhas de ônibus: Mateus Leme, Taboão, Abranches, Vila Suiça (horários e itinerários)
Automóvel - estacionamento do parque e nas ruas da região.
Bicicleta - há ciclovias que levam até o bosque. 

Horário
Segunda a domingo. 

Para os corredores de plantão

Há várias corridas que saem da região do MON e bosque do Papa e que passam por eles também. Dentre as que já participei, são elas: Meia maratona de Curitiba (largada e chegada no MON), 25km de Curitiba e Revezamento entre Parques (Largada entre o MON e o Bosque), Maratona de Curitiba (passa pelo MON). 
Maratona Curitiba 2010
Meia Maratona Curitiba 2013

Largada 25km Curitiba - 2015

Até a próxima! Bons treinos e bom turismo!

5 de out. de 2015

(N)As quebradas da vida


Sempre acreditei que cada experiência traz sempre uma lição, boa ou ruim, ela deixa um aprendizado. Infelizmente aprendemos mais com as situações difíceis do que com as boas mas talvez seja por isso que as ruins surgem na nossa vida: para agregar. Sim, experiências densas também agregam, aliás são as que mais contribuem para o nosso crescimento e nossa melhora pessoal e profissional. Os períodos mais pesados são aqueles que nos forjam, que nos tornam mais fortes e também mais sensíveis aos bons momentos. São eles que nos despertam uma vontade de mudar, de evoluir, de tentar algo novo.

Quantas pessoas começaram a praticar atividade física depois de algum problema de saúde? Quantas iniciam um projeto engavetado há tempos em razão de alguém?  Ou quantas pessoas não enfrentam um trauma por necessidade? A vida é surpreendente pois quando menos se espera: pá! A gente se obriga a agir e a se reinventar. Não tem aviso, preview, anúncio...ou você age ou morre na praia.

Na última maratona, o psicológico me boicotou no km23. Quebrei ali, andei e pensei no que fazer...Desistir não era opção mas a cabeça não estava colaborando. Eis que apareceu um corredor e me puxou do buraco negro até conseguir sair daquele looping mental e continuar a correr bem. Esse fato ficou na minha mente por dias...Não encontrei explicação para eu ter caido no km23 mas encontrei uma lição para a vida. 

E ao fazer uma analogia com ela, mais uma vez entendi que por mais denso que seja o momento e a situação, só cabe a nós resolve-la. Teremos sim pessoas que nos ajudarão e apoiarão mas o sucesso mesmo só virá se estivermos dispostos a lutar, a vencer medos, preconceitos e, principalmente, a insistir. E por pior que possa parecer, sim, teremos forças para lutar e batalhar até o fim. Por mais que a cabeça diga "não dá", sim, insista, lute, enfrente, porque ela consegue sim.

Foto: Rick Nogueira
No último domingo matei as saudades do Circuito de Corridas de Rua da Prefeitura de Curitiba. Foi onde comecei há mais de 12 anos e há alguns outros estava ausente. Realizada no 20.º BIB, é uma prova que sempre traz boas lembranças...sempre com uma energia bacana e muitas subidas e descidas (que não dá pra esquecer mesmo!). Depois de chegar, sentei na arquibancada e assisti a chegada de muitos outros corredores... 

Cada um que cruzava o pórtico, manifestava-se de alguma forma e eu me perguntava: "o que o fez correr esses 10km?" ou "porque será que ele (a) está comemorando tanto?", Por trás de cada vitória pessoal tem uma história surpreendente, pode apostar. Pudera eu saber um pouquinho mais sobre cada sorriso daqueles... Fiquei ali um bom tempo, olhando aquele espetáculo um pouco mais de longe; contemplando tanta alegria, tantos sorrisos; e absorvendo tanta energia  do bem (porque se há um lugar que exala boa vibração é uma corrida de rua). 

E então, ali sentada, finalmente entendi que essa é a mágica da corrida: curtir cada momento com muita alegria. Cada um corre por um motivo e almeja cruzar o pórtico por alguma razão, independente da distância. Não somos nada diante da dimensão dessa vida e o mínimo que devemos ter é humildade diante dela. E reconhecer que se algo não der certo, será que o que achavamos certo, realmente era? 

Bom, agora terei que pensar a respeito dessa resposta... quem sabe numa próxima corrida, numa dessas quebradas da vida... 

Independente da prova ou da distância, sorriso no rosto, alma leve e coração grato sempre. 

Bons treinos! 
"Enjoy your journey, enjoy the life."

6 de mai. de 2014

Meia Maratona Ecológica de Curitiba

Olá pessoal!!


Arquivo pessoal
Neste último domingo, 04, participei da Meia Maratona Ecológica de Curitiba, prova que incluía distâncias de 5km, 10km e 21km, organizada pela Thomé e Santos. 

Semana da prova foi conturbada, agitação profissional, clima frio, imunidade meio baixa desde a última "peripércia" esportiva...peguei uma virose e fiquei "de molho" desde quarta-feira. No sábado senti que dava para correr de leve os 21km, falei com meu técnico, San Palma, e fui! Treinão de luxo no ritmo do corpo...só pra matar a vontade de correr uma meia maratona.  Pois é...essa tal de corrida é um bichinho que nos pega e não larga mais!

Dia bonito, sol, céu azul, friozinho agradável. Prova muito bem organizada. Largada pontual as 7h na Praça Nossa Sra de Salete (amo provas naquela região), postos de água a cada 3km, ruas fechadas para os atletas (vi poucos incidentes com motoristas apressadinhos e mal educados), chegada organizada, pipocas barrados antes da área de dispersão e kit pós prova caprichadinho - assim como o kit da prova. Custo x benefício justo.

O percurso...ah, o percurso! Detalhe a parte... se você gosta de subidas, essa é sua prova! Era um sobe, desce, vira aqui, vira ali, que, sinceramente, nem dava pra perceber os km's passarem. Para o psicológico é muito bom, e para o corpo foi um bom desafio. Não foi fácil mas foi ótimo! 

O que mais me chamou a atenção foi uma senhora que assistia a prova passar em frente a sua casa, segurando uma bandeira do Brasil e acenando para nós. Sim, ali podíamos nos sentir verdadeiros heróis por estarmos na batalha, fazendo nosso melhor e buscando concluir os 21k (só faltou o "tan tan taaaan, tan tan taaaan" do Ayrton Senna!). Uma imagem tão singela e inocente que ficará gravada na minha memória.  

As vezes se desligar um pouco de tempo,  metas ambiciosas, cobranças, vale a pena. Encarar uma prova razoavelmente longa sem encanar com tempo, pace, ouvindo seu corpo, dosando seu esforço, contemplando o entorno, interagindo com quem está a sua volta é bacana também. Confesso que desapegar do relógio não é fácil, ao menos para mim. Na verdade não é NADA FÀCIL. Não vou ser hipócrita porque quem me conhece sabe como sou. Mas a cabeça tem que estar aberta ao novo e temos que ter sensibilidade em ouvir o nosso corpo naquele momento. A experiência foi "muito rica e valiosa", como diria um professor meu. Aconselho todos a tentarem um dia.

Foto: Arthur Nauffal - Vivo Esportes
Não posso deixar de mencionar um fato que aconteceu no sábado, entrega dos kits, que teria tudo para frustrar a corrida mas, pelo contrário, tornou o evento ainda mais destacável para mim. Quando fui retirar o kit, meu nome não constava na listagem de inscritos. Desespero! Chateação! Oh, meu Deus! A organização prontamente já conferiu meus documentos, comprovante de pagamento e efetuou novo cadastro. No domingo corri confiando estar tudo certo. E de fato estava (ufa!). Dessa forma não posso deixar de mencionar e agradecer a atenção e a consideração do Vilson Thomé, organizador da prova, e do Henrique, do Linha de Chegada, em verificar o que houve e justificar o ocorrido. Se todos os envolvidos em organizações  de provas tivessem esse respeito com o atleta, seria fantástico!!! 


Arquivo pessoal
Bom, seguem meus agradecimentos (peguem o lencinho...porque essa medalha também é de vocês..snif!): minha mãe ( que quis ir junto, mesmo tendo que acordar 4h45 num domingo); meu coach, San Palma, pela atenção, paciência e dedicação, sempre; à família CMTeam thanks a lot !!!; aos amigos e amigas que encontrei na prova e aqueles(as) que sempre estão na torcida! 

Pessoal da Vivo Esportes, valeu pela cobertura e pelas fotos! 

Bons treinos e até a próxima! 

26 de out. de 2013

Paço da Liberdade

Olá pessoal,

skyscrapercity.com
Esses dias estava pelo Centro de Curitiba e resolvi entrar no Paço da Liberdade, antigo Museu Paranaense. Depois da reforma, que já acabou faz tempo, não havia mais ido lá. Antigamente era um museu e me recordo de ter ido muitas vezes com a minha mãe - adorava os esqueletos do segundo piso!

Pois é, uma vergonha para mim...tão perto, tão histórico, tão imponente e não havia ido lá ainda. Tinha uns 30min livre, resolvi entrar e ver como estava. Bom, antes de contar a minha aventura "reconhecendo a sua cidade", vou contar um pouquinho da história do Paço da Liberdade, que já foi sede da Prefeitura de Curitiba:

"Inaugurado em 24 de fevereiro de 1916, era a sede da antiga Prefeitura de Curitiba, com detalhes neoclássicos e desenhos art-noveau, a construção é em alvenaria de tijolos com base em blocos de concreto e cantaria.
É o único monumento do Paraná tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). O projeto de restauração  respeitou as características originais do edifício e privilegia o uso público do espaço. Em 29 de março de 2009 a Prefeitura entregou o Paço da Liberdade totalmente revitalizado." (Fonte: Site da Prefeitura de Curitiba)

O primeiro prefeito a governar na nova Prefeitura foi Cândido de Abreu. Em 1974 se transformou em Museu Paranaense até fechar as portas, em 2006, para a restauração.

Após a reforma e restauro o Paço da Liberdade passou a ser gerido pelo sistema SESC/Fecomércio e hoje tornou-se espaço para palestras, cursos, concertos e exibições de filmes. Ainda conta com uma livraria, loja, internet e um café maravilhoso (vou comentar depois!)


A minha visão do Paço da Liberdade revitalizado

De fora ele já está mais imponente, bem cuidado e valorizado. Por si só nos convida a entrar.


Logo no hall de entrada já é possível ver uma escadaria maravilhosa, daquelas que te chamam para pisar, subir, olhar, tocar o corrimão. É, meio mágico mesmo. Quando você percebe já está subindo naquela imponente escada, digna de filmes e livros.


Fui subindo, nem quis saber o que tinha no térreo! (Depois eu volto e vejo!).
Logo no primeiro piso há a sala de concertos. Exuberante. Com piano de cauda e um teto pintado magnificamente a  mão. Por uns instantes você se sente até meio artista...
Pintura do teto da Sala de Concertos
Seguindo para o outro piso, há outras salas para cursos, eventos, exibição de filmes. Há também um "mini-museu" com alguns móveis históricos e livros que pertenciam a uma antiga biblioteca (classicos como Les Miserables, de Vitor Hugo):



Ainda se tem uma vista linda do calçadão do Mercado das Flores:


E também da Praça Generoso Marques, com a estátua do próprio ao centro:


No último andar há uma exposição de fotos e outra de imagens, que fazem parte da Bienal de Curitiba de 2013. 

" O Sesc Paço da Liberdade é esse ano um dos locais que recebe a Bienal Internacional de Curitiba. O espaço de exposições do edifício vai abrigar a exposição idealizada pela curadora associada Tereza Arruda: Construções de Ilusão dos artistas Max Sudhues, Kim Fielding e Jitish Kallat ." (Fonte: SESC)

Ah sim, voltando ao térreo...

No hall de entrada já temos uma orientação geral sobre o Paço bem como as direções para onde quiser ir. 

A histórica placa de fundação:

E, por fim, e não menos importante, o café. Ah, o Café do Paço. Ali eu tirei uns minutos do tempo que eu nem tinha para contemplar um lugar que eu ainda não havia perecebido na nossa capital. Lembrou-me muito aqueles cafés europeus, principalmente Paris, que ficam escondidinhos e que são extremamente aconchegantes e não te dão vontade de sair mais dali. 
Indicado pela Revista Veja Comer & Beber Curitiba, realmente vale a visita. Embora a tentação tenha sido ENORME, não furei a dieta de atleta ( proud!) e fiquei com um expresso mesmo (e fiquei tão agraciada com o local, as pessoas e o atendimento, que guardei o celular e não tirei foto - my bad!). Sei, sei, uma tremenda heresia ficar no little coffee mas o horário era curto, a dieta tá em dia e os treinos seguem fortes. Ficou o pretexto para retornar em breve e degustar alguma daquelas maravilhas do cardápio.

Então vamos ao que interessa: 
Onde fica o Paço da Liberdade?
Praça Generoso Marques, 180, Centro, próximo ao Setor Histórico.

Como eu chego?
Ônibus até Praça Tiradentes/ Catedral - seguir pelo calçadão do Mercado das Flores até a Praça Generoso Marques.
Ônibus até Terminal Guadalupe - subir a Rua João Negrão até a Rua XV de Novembro, sentido a esquerda seguir até a Barão do Rio Branco. À direita já estará a Praça.
Linha Turismo
Automóvel: vários estacionamentos na região.

Horário de funcionamento (do Paço e do Café):
3ª a 6ª, das 10h às 21h.
Sábados das 10h às 18h, Domingos e feriados, das 11h às 17h

Mais informações: SESC Paço da Liberdade

Divirtam-se! Sejam turistas na sua cidade também! Vale a pena!

20 de out. de 2013

France Folie Curitiba

Pessoal,

Hoje vou abrir um ( ) aqui...Não vou falar de esporte mas de um evento cultural muito bacana que tive o prazer de prestigiar ontem. Programas desse gabarito são raros, se considerar que envolveu uma cultura e um país que amo muito, vocês podem imaginar o quanto fiquei feliz!!
Acredito que será bacana compartilhar um pouquinho do que foi o DIA DA FRANÇA EM CURITIBA e o que é a France Folie Curitiba.

O France Folie Curitiba   vem do francês, Vamos celebrar a França!” Isso é o France Folie: Uma grande celebração à cultura francesa em Curitiba.
"O France Folie é uma realização do Consulado Honorário da França em Curitiba que vai reunir diversas formas de manifestações culturais, como cinema, gastronomia, turismo, negócios e música em uma representação de como a cultura francesa participa em nosso país.A proposta do festival é promover uma grande ação de aproximação às tradições da França, envolvendo diversos locais de Curitiba, como uma forma de demonstrar a amplitude da herança cultural francesa na cidade. Além disso, as atividades e atrações oferecidas pelo evento foram criadas com a intenção de incentivar um maior intercâmbio de diálogos e relações entre os dois países – um Brasil carregado de uma diversidade cultural tão envolvente, e uma França feita de tradições tão características." (Fonte:site)

Dentre as várias atrações programadas para essa semana, ontem, 19, foi o DIA DA FRANÇA, que foi celebrado no Museu Oscar Niemayer. 

Para ingressar no evento era necessário adquirir a pulseira, no valor de R$ 5,00, que permitia usufruir de toda a estrutura, incluindo os workshops e desgustações. Sem contar com a segurança e capricho nos mínimos detalhes.

As atrações musicais (concertos, jazz, rock, eletrônica) aconteciam em espaços abertos a toda a população, como o saguão do MON e o ParCão.


Cheguei por volta das 11h45 e ainda consegui assistir o finalzinho da apresentação da Camerata Antiqua de Curitiba, com a inesquecível "La Mer".
Dentre as outras opções de Música, ainda teve Black White Jazz Ensemble e Wandula Quartet com Edith Camargo (que também consegui assistir - e recomendo) e por último, encerrando os trabalhos, Cavernoso Viñon.

                                         


Gastronomia

O France Folie no Dia da França organizou uma excelente Feira Gastrônomica, com pratos a preço único de R$15,00. Estabelecimentos participantes: Lagundri, Vindouro, Sel et Sucre, Zea Mais, Bistrô do Victor, L'Épicerie, Au Petit Paris, Chef Thierry Laurent, Rosmarino e Cuore di Cacao.

Com opções variadas e atrativas, o cardápio deixou as pessoas em dúvida quanto ao que escolher. Entre salgados e doces, foi uma bela viagem a um pouquinho dos prazeres da culinária francesa.

Além de vinho, espumante, refrigerante e água para beber.


Eu, como uma boa apreciadora de crêpes franceses, não poderia deixar de prestigiar o Chef Thierry Laurent, do La Crêpe Française, com o "Crêpe Façon Strogonoff" (strogonoff de mignon, cogumelos frescos, mussarela).

                                 

E uma sobremesa porque ninguém é de ferro e a Patisserie Francesa, ainda mais do Chef Laurent Grolleau , jamais poderia ser dispensada. Pra quem não conhece o Chef, ele é co-proprietário da Au Petit Paris Boulangerie et Patisserie, especializada em salgados e doces gourmets para eventos. Parisiense, Grolleau que foi professor na Le Cardon Bleu e já trabalhou com com o renomado Chef Pierre Hermé, está no Brasil há 10 anos, e por 7 anos foi Chef Patissier e Boulanger do Grand Hyatt São Paulo.

Para o France Folie, o Chef Grolleau, atualmente no Au Petit Paris, preparou um "Clafouti au chocolat-framboise avec sorbet aux framboises et tuile croquant". Traduzindo: ganache de chocolate na base, massa com framboesas inteiras (supèrb!), sorbet de framboesa (sem leite, merci Chef!!) e a casquinha crocante.

                                          
(Nutricionista e treinador que me perdoem, mas essa "jacada" foi com o maior gosto do mundo!!)

Workshops
Com o valor da entrada era permitido participar de 3 workshops, mediante inscrição prévia no próprio local, com direito a degustação do prato e do vinho apropriado. Uma verdadeira aula sobre a alquimia da culinária francesa!

Assisti o workshop das 14h - Vol au Vent de Champignon com o Chef Ricardo Filizola.
                                 

O prato (que eu esqueci de fotografar) estava delicioso e relativamente fácil para fazer em casa. Serve para cocktails e entradas. Recomendo! O vinho da região do Rennes, igualmente adorável. Casou perfeitamente.

Foi um excelente evento. Bom seria ter sempre uma programação deste nível cultural. 
Parabéns aos envolvidos e especialmente ao Consulado Honorário da França em Curitiba e Câmara do Comércio Brasil-França pela iniciativa. 

Durante a semana

Mas as festividades não pararam no sábado.

De 21 a 27 de outubro - há a semana da culinária francesa, onde restaurantes selecionados prepararam pratos exclusivos para o France Folie.

23 e 24 de outubro: Concerto de Câmara - 20h na Capela Santa Maria (R$ 30 e R$15)
25 de outubro: Black and White Jazz Ensemble - FNAC Park Shopping Barigui - 19h30 - entrada franca.

18 a 24 de outubro: Mostra de Cinema Francês - Espaço Itau de Cinema - R$14 e R$ 7 - Programação completa aqui

19 a 27 de outubro - Semana da França no Shopping Patio Batel
26 de outubro: La Balade Française - Jokers

25 de outubro: Café Philosophique - Aliança Francesa 19h
26 de outubro: Contação de histórias de autores franceses - Livraria da Vila/Patio Batel - 17h.

Aproveitem!!

*As fotos são do arquivo pessoal  e estão sujeitos a direitos autorais.