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26 de fev. de 2016

Cataratas do Iguaçu

Olá pessoal,

Aos poucos vou compartilhando aqui com vocês sobre onde tenho passado e visitado, dando dicas, explicando e passando meu ponto de vista.


Arquivo pessoal - Direitos reservados

Acredito que a água exerça fascínio sobre muitas pessoas e comigo não é diferente. Quando falamos em várias quedas d'água sincronizadas em um espetáculo de som, cores e frescor, o fascínio é ainda maior. Perfeitamente ordenadas pela natureza, as Cataratas do Iguaçu constituem Patrimônio Natural Cultural da UNESCO e refletem a beleza natural e intocada que pode ser contemplada por nós. 
Todas as vezes que vou ao Parque Nacional, saio renovada e revigorada. É tanta energia boa circulando, que chega ser impossível não sair de lá mais leve (com exceção das roupas molhadas!) e energizado.

Um pouquinho sobre a história do Parque
O Parque nacional do Iguaçu, criado em 1939, pelo Decreto N° 1.035, abriga o maior remanescente de floresta Atlântica (estacional semidecídua) da região sul do Brasil. O Parque protege uma riquíssima biodiversidade, constituída por espécies representativas da fauna e flora brasileiras, das quais algumas ameaçadas de extinção, como onça-pintada (Pantheraonca), puma (Puma concolor), jacaré-de-papo-amarelo (Caimanlatirostris), papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea), gavião-real (Harpia harpyja), peroba-rosa (Aspidospermapolyneutron), ariticum (Rolliniasalicifolia), araucária (Araucariaaugustifolia), além de muitas outras espécies de relevante valor e de interesse cientifico.
Essa expressiva variabilidade biológica somada à paisagem singular de rara beleza cênica das Cataratas do Iguaçu, fizeram do Parque Nacional do Iguaçu a primeira Unidade de Conservação do Brasil a ser instituída como Sítio do Patrimônio Mundial Natural pela UNESCO, no ano de 1986.
Unido pelo rio Iguaçu ao Parque Nacional Iguazú, na Argentina, o Parque integra o mais importante contínuo biológico do Centro-Sul da América do Sul, com mais de 600 mil hectares de áreas protegidas e outros 400 mil em florestas ainda primitivas, responsabilidade ímpar para ações conjuntas entre brasileiros e argentinos nos esforços de preservação deste tão importante patrimônio mundial.




Como chegar
Ônibus
Você pode chegar ao Parque através de ônibus de linha, que parte do TTU e cruza o centro da cidade, passa pela rodovia das Cataratas até chegar no Parque. Linha 120, lado esquerdo depois que passar a catraca. É a mesma linha que faz até o aeroporto.
Custo da passagem: R$2,90.
Ao chegar no parque e descer do ônibus, você irá até o Centro de Visitantes, onde há a venda dos ingressos, lojinha e central de informações. Depois de adquirir o bilhete, você será encaminhado até o embarque nos ônibus próprios do parque (double deck), que percorrerão aproximadamente 10km  até chegar no início da trilha, que é feita a pé.  
Para retornar, basta se direcionar até a parada dos próprios ônibus do parque, no Porto Canoas, e fazer o sentido inverso da viagem.
Ônibus do PNC

Táxis / Automóveis
Seguem a mesma forma dos ônibus de linha, a partir do Centro de Visitantes. Já os automóveis poderão ficar no estacionamento (R$19,00 diária).
Transfers
Verificar com a agência o funcionamento.

Tarifas
Brasileiros
Adulto: R$31,30
Crianças (2 a 12 anos): R$8,00
Idosos (acima de 60 anos) : R$8,00
No site do parque há tabelas com valores diferenciados para estrangeiros e comunidade.
Os ingressos podem ser adquiridos também via internet.

Passeios
A trilha que passa pelas cataratas (até terminar no mirante da garganta do diabo), dá aproximadamente,1.200m. Percurso que inclui desníveis e degraus. Se for em um dia movimentado, tem que ter paciência. 
A garganta do diabo é ponto máximo. Após passar pela passarela e próximo as quedas, você chegará ao mirante, de onde terá uma visão maravilhosa das quedas seguintes. 
Prepare-se para se molhar bastante. Quem não gosta, aconselho a levar uma capa de chuva ou adquirir no próprio parque. Que não se incomoda, é melhor levar uma muda de roupa extra. 

Porto Canoas
Ao terminar o passeio pela trilha, você seguirá até Porto Canoas, uma ampla área de descanso e alimentação, incluindo a loja de lembranças e sanitários. 

Ainda, há outros passeios que podem ser feitos dentro do Parque Nacional, como o Macuco Safari (que vai de barco até embaixo das quedas)  e a Trilha do Poço Preto.
O Macuco Safari fiz em 2006 e na época gostei muito. O valor não é barato mas vale a pena para  sentir a emoção de passar próximo às quedas. Assim como na passarela, leve uma capa de chuva ou uma muda extra de roupa.

Alguns cuidados
  • Durante a trilha de 1200m será comum encontrar os sagüis. A recomendação do parque é não alimentá-los e não toca-los, afinal são animais selvagens. 
  • Use roupas confortáveis para caminhar.
  • Não descuide da hidratação e do protetor solar.
  • Se tiver alergia a insetos, é recomendável o uso de repelentes.

Lado argentino
É possível visitar as Cataratas pelo lado argentino, na cidade de Puerto Iguazu. Não tive essa oportunidade ainda mas acredito que seja belo e emocionante também. 
Sem dúvidas, a visitação ao parque é imprescindível para quem quer desfrutar de alguns momentos de contemplação da natureza em sua forma mais pura e bela. 

Até a próxima!

24 de fev. de 2016

Maratona de Frankfurt

Pessoal,

Estou super atrasada com esse post mas esse é daqueles que tem que ser postado!  É a queridinha Maratona de Frankfurt!

Skyline - Arquivo pessoal
                                           
Sobre Frankfurt - resumão!
Frankfurt é o centro financeiro da Alemanha e da Europa Continental. Nela encontram-se o Banco Central Europeu, a Bolsa de Valores e o Banco Federal Alemão.  Frankfurt fica na Antiga Zona de Ocupação Americana na Alemanha  e era antigamente a cidade sede do Exército dos Estados Unidos na Alemanha.
Foi uma cidade bem castigada pela II Guerra Mundial, sendo destruída parcialmente e reconstruída logo após, nos moldes originais. 
Frankfurt durante a II GM = Por Desconhecido - Coleção particular Mylius, 
É cortada por várias pontes (que passamos durante a prova!), pois o Rio Main corta a cidade e os bairros. 
Frankfurt atual - Por Fritz Geller-Grim
 Em 2011, a companhia Mercer apontou Frankfurt como a 7º cidade em qualidade de vida do mundo. 


Como chegar

 O aeroporto de Frankfurt é hub para muitos locais da Europa e tem voos diretos saindo de Guarulhos pela TAM e Lufthansa.  Só se prepare porque o aeroporto é IMENSO e entre sair do avião, passar na imigração, pegar as malas e sair no desembarque há uma caminhada igual ao aeroporto: IMENSA. 

Confesso que achei que estava perdida e como não falo alemão, fui confiando nas placas em inglês e (UFA!) deu certo! Fui antes dos atentados, então a imigração foi bem tranquila de passar. 

Também pode se chegar de trem pela Estação Central (Frankfurt Hauptbahnhof), que tem vários destinos a disposição, como Berlin, Bruxelas (que eu fiz), Paris. Viajar de trem pela Europa é sempre uma oportunidade única de lindas paisagens, além de conhecer um pouquinho mais do jeito da população local. Ah, na estação central também chega o trem vindo do aeroporto! 

Mais sobre a cidade - farei post em breve! 

MARATONA DE FRANKFURT
Bom, vamos falar sobre o tópico do post, né? 
Aconteceu dia 25 de outubro de 2015 e posso defini-la como SENSACIONAL! Entrou, sem dúvidas, no rol das queridinhas! Extremamente bem organizada, com estrutura impecável, água, isotônico, chá quente (sim, estava frio!), refrigerante e frutas bem distribuídos ao longo dos 42.195m. 

Brezel Lauf  por Ana Krueger
Já começamos bem no sábado ainda, com a Brezel Run, isso mesmo, a corrida do Brezel! É como uma breakfast run de Paris, mas que termina com suco, chá, isotônico e bretzel! 
O percurso é de 5km que só é divulgado minutos antes da largada. Uma equipe vai a frente delimitando o percurso, então não adianta aparecer nenhum queniano doido lá porque não vai saber o percurso.  

Na Festhalle, chegada da Brezel Lauf era também a expo e retirada do kit. Ah, sim, a largada e chegada da maratona também acontecem lá. Retirada de kit super rápida e ágil, várias marcas expondo e até rolou assistir um bate-papo com o Jan Frodeno, campeão do IM Frankfurt 2015 - pena que o colega só falou em alemão!



No dia da prova, alegria total! A manhã estava fresca, friozinho suficiente para deixar a distância maravilhosa para correr e a empolgação a mil. Também pudera, com tantos amigos reunidos na mesma prova (3 maratonistas e 7 no revezamento, além dos staffs de primeira), impossível não sair tudo redondinho.
Time completo antes da largada - Por Ana Audun
A largada foi por baias de tempo e não teve empurra-empurra e nem gente trancando o caminho. Consegui encaixar ritmo nos primeiros kilometros e só parei quando cheguei, concentração total. Na verdade, só tinha em mente encontrar minha amiga Iana no km35, pois ela me puxaria até o final - e isso foi o melhor presente nessa prova toda. Pois quando você acha que não dá para apertar mais, alguém vai lá, abre teus olhos e mostra que é possível sim (thanks amiga do cuore!)! 

O percurso é muito bacana. Mesmo concentrada, é claro que é possível ver o que acontece ao redor... Passamos por diversos bairros de Frankfurt e devo dizer que em todas as ruas havia pessoas torcendo! Jovens, crianças, adultos e idosos! Muitos idosos com seus cães! Coisa linda de se ver e motivar... Aprendi também que Apotheke é farmácia em alemão ahahaha (no percurso havia tantas apothekes que precisei perguntar o que significava...). 

A chegada da prova é incrível! É dentro da Festhalle, em clima de festa, balada, um verdadeiro show para recepcionar os guerreiros! A dispersão também bem fácil e prática. Medalha, poncho, hidratação e área de descanso. 
Pós prova - por Ana Audun

Sem dúvidas, a maratona de Frankfurt me surpreendeu pois a cidade abraçou os corredores e a organização promoveu um estrutura fantástica. Menos muvucada que Paris (esta com 50 mil corredores x 20 mil corredores FRA) mas mesmo assim cheia, foi possível fazer uma corrida mais fluida, sem tantos desvios e, assim, mais concentrada (tanto que não ouvi nem meus amigos chamando, apitando, gritando...rsrsrs Eis o grande mistério do fim de semana!). 
Finisher Medal
Corri essa prova um mês após a maratona de Foz do Iguaçu e o fato dela ser plana contribuiu muito. Validada para o indice de Boston, é uma boa pedida para quem almeja conquistar o temido tempo. Percurso flat, rápido, estruturado e temperatura agradável. Não tem erro.

48h pós maratona, já no treino!
Mas sem dúvidas alguma, o melhor dessa maratona foi encontrar amigos, estreitar laços, descobrir afinidades e viver dias mágicos conhecendo a cultura alemã. Não posso deixar de agradecer imensamente à minha amiga Ana Krueger do Live from Germany e seu marido pela acolhida carinhosa e hospitalidade impecável! Acredito que pessoas de pensamentos comuns se atraem e a aproximação ocorre nos momentos providenciais! 



E também agradecer a cada amigo e amiga que fez parte desse fim de semana memorável e que continua no dia a dia, mesmo longe, a agregar alegria e felicidade. 

E sem dúvidas gratidão ao meu treinador, San Palma - CMTeam, pela dedicação, compreensão e apoio sempre.

Danke! 


E pra quem se interessar, as inscrições para a edição 2016 já estão abertas no site da prova!

Bons treinos e até a próxima!

5 de out. de 2015

(N)As quebradas da vida


Sempre acreditei que cada experiência traz sempre uma lição, boa ou ruim, ela deixa um aprendizado. Infelizmente aprendemos mais com as situações difíceis do que com as boas mas talvez seja por isso que as ruins surgem na nossa vida: para agregar. Sim, experiências densas também agregam, aliás são as que mais contribuem para o nosso crescimento e nossa melhora pessoal e profissional. Os períodos mais pesados são aqueles que nos forjam, que nos tornam mais fortes e também mais sensíveis aos bons momentos. São eles que nos despertam uma vontade de mudar, de evoluir, de tentar algo novo.

Quantas pessoas começaram a praticar atividade física depois de algum problema de saúde? Quantas iniciam um projeto engavetado há tempos em razão de alguém?  Ou quantas pessoas não enfrentam um trauma por necessidade? A vida é surpreendente pois quando menos se espera: pá! A gente se obriga a agir e a se reinventar. Não tem aviso, preview, anúncio...ou você age ou morre na praia.

Na última maratona, o psicológico me boicotou no km23. Quebrei ali, andei e pensei no que fazer...Desistir não era opção mas a cabeça não estava colaborando. Eis que apareceu um corredor e me puxou do buraco negro até conseguir sair daquele looping mental e continuar a correr bem. Esse fato ficou na minha mente por dias...Não encontrei explicação para eu ter caido no km23 mas encontrei uma lição para a vida. 

E ao fazer uma analogia com ela, mais uma vez entendi que por mais denso que seja o momento e a situação, só cabe a nós resolve-la. Teremos sim pessoas que nos ajudarão e apoiarão mas o sucesso mesmo só virá se estivermos dispostos a lutar, a vencer medos, preconceitos e, principalmente, a insistir. E por pior que possa parecer, sim, teremos forças para lutar e batalhar até o fim. Por mais que a cabeça diga "não dá", sim, insista, lute, enfrente, porque ela consegue sim.

Foto: Rick Nogueira
No último domingo matei as saudades do Circuito de Corridas de Rua da Prefeitura de Curitiba. Foi onde comecei há mais de 12 anos e há alguns outros estava ausente. Realizada no 20.º BIB, é uma prova que sempre traz boas lembranças...sempre com uma energia bacana e muitas subidas e descidas (que não dá pra esquecer mesmo!). Depois de chegar, sentei na arquibancada e assisti a chegada de muitos outros corredores... 

Cada um que cruzava o pórtico, manifestava-se de alguma forma e eu me perguntava: "o que o fez correr esses 10km?" ou "porque será que ele (a) está comemorando tanto?", Por trás de cada vitória pessoal tem uma história surpreendente, pode apostar. Pudera eu saber um pouquinho mais sobre cada sorriso daqueles... Fiquei ali um bom tempo, olhando aquele espetáculo um pouco mais de longe; contemplando tanta alegria, tantos sorrisos; e absorvendo tanta energia  do bem (porque se há um lugar que exala boa vibração é uma corrida de rua). 

E então, ali sentada, finalmente entendi que essa é a mágica da corrida: curtir cada momento com muita alegria. Cada um corre por um motivo e almeja cruzar o pórtico por alguma razão, independente da distância. Não somos nada diante da dimensão dessa vida e o mínimo que devemos ter é humildade diante dela. E reconhecer que se algo não der certo, será que o que achavamos certo, realmente era? 

Bom, agora terei que pensar a respeito dessa resposta... quem sabe numa próxima corrida, numa dessas quebradas da vida... 

Independente da prova ou da distância, sorriso no rosto, alma leve e coração grato sempre. 

Bons treinos! 
"Enjoy your journey, enjoy the life."

1 de out. de 2015

Maratona de Foz do Iguaçu

eucorro.com
Demorei mas cheguei para o release da Maratona de Foz!

Na verdade, queria "absorver" essa prova que foi muito intensa, não só por ela em si mas pelo contexto em que ela ocorreu para mim. Eu não queria ter ficado internada uma semana antes, com medicação pesada na veia, tão pouco passar a semana a base de antihistamínico, corticoide e antiinflamatório. Para quem não sabe, duas coisas: odeio tomar remédios, só tomo em caso de extrema (muito extrema) necessidade; e fui picada por uma abelha e sou alérgica, tive reação pesada e por isso passei o domingo hospitalizada.


Mas vamos lá, porque o post é sobre a queridinha, super super, mãe de todas as corridas: MARATONA (yeaahhh!).

A maratona internacional de Foz do Iguaçu era um sonho antigo. Amo essa cidade, já fui algumas vezes e me identifico demais com a região e com a população. Não sei, é daquelas cidades que te abraçam e você se apaixona. A ideia era ter corrido ano passado mas em função da Copa do Mundo, ela foi cancelada, então deixei para 2015. Como decidi fazer a travessia de 8km de Bombinhas antes da maratona ser confirmada, tivemos um belo desafio: duas provas longas em um mês. Mas o coach San Palma disse que seria possível...e foi! Planejamento de treinos foi perfeito e o desafio foi concluído com saúde, qualidade e rendimento!!

Organização

Organizada pelo SESC PR, a maratona de Foz do Iguaçu é simplesmente impecável. A começar na chegada no aeroporto, onde havia o transfer gratuito em vans e micro ônibus para os hotéis conveniados, e uma equipe alegre e sempre pronta. 

Para buscar o kit no SESC (que fica mais afastado do centro da cidade), também havia transfer gratuito, de hora em hora, bem como para o retorno (sempre aos hoteis conveniados). 

Como a largada era bem cedo, a partir das 6h e encerrando as 6h30 para as categorias, a organização disponibilizou ônibus saindo dos mesmos hoteis até a largada, as 4h30 e 4h45, os quais passavam pontualmente, bem como o "ônibus carona", no retorno das Cataratas para o hotel. Este eu fiz uso e foi uma super ajuda!!! Para quem não conhece, o parque das cataratas é bem afastado do centro da cidade e, logo, dos hoteis conveniados. Pegar ônibus de linha, depois de 42km, suada e molhada da chuva seria tenso...e táxi, muito caro. O transfer da organização foi perfeito. Para a largada, pegamos carona com um grupo de corredores de Itararé, que tinham van própria, e chegamos mais perto do horário da largada (obrigada pessoal!!!!). 

Kits
A retirada dos kits estava bem organizada ( no sabado inicio da tarde), todos muito prontos e educados. O kit era composto pelo chip, numeral de peito, camiseta e mochilinha. Eu achei super a contento, em relação ao valor da inscrição.  Na retirada, ainda pude conhecer o mito das corridas de rua no Brasil, Gregório Lavandoski, que estava divulgando a Maratona do Vinho, em Bento Gonçavels (passem no site pra dar uma olhada!).
Arquivo pessoal

Prova

Depois da chuva moderada da madrugada, o dia amanheceu sem chuva, quer dizer, com alguns pingos esparsos. Clima ameno, sem sol, perfeito para correr. Durou alguns kilometros até que a chuva fina apareceu para refrescar...e durou o resto da prova, as vezes mais forte, outras mais fraca, mas o suficiente para ir encharcando roupas e tênis. 

Com postos de hidratação a cada 3km, ninguém ficou sem água. A partir do km 15, também havia coca-cola, isotônico e no km 21 frutas. Ou seja, sem perrengues para ninguém nos 42km.

Percurso
Divulgação
O percurso é lindo. Saímos do SESC, fomos até a Itaipú (onde seria a largada originalmente mas em razão da greve, não poderia ser feita lá) e seguimos em direção ao parque das cataratas, cruzando todo o centro da cidade e a rodovia. 

O percurso estava fechado parcial e totalmente (em alguns trechos) para os corredores. Não tinhamos que nos preocupar com motoristas xingando, acelerando, cortando nossa frente ou tentando invadir nossa pista. Excelente trabalho da PRF, GM e Exército. 

eucorro.com
Sim, há muitas subidas e descidas. Ao contrário da maratona de Curitiba, as subidas de Foz são fortes e sequenciais. Não há "plano" pra dar aquela descansada, recuperada. É literalmente um "sobe-desce". Cansa bastante mas o cenário da chegada compensa!! Cruzar o pórtico em frente as cataratas, não tem preço (aliás, tem, 42km...hahaha). Eu arriscaria a dizer que Foz é mais pesada do que Curitiba (minha opinião, sem polêmicas, por favor!).

Se eu voltaria? Sim!!! Não sei se ano que vem ou em outro...mas voltaria sim, sem dúvidas. Cidade fantástica, energia positiva sem fim, extremamente bem organizada e com respeito total ao corredor! 

Eu não fui tão bem quanto gostaria, até porque não tinha uma meta exata de tempo. Fiz uma prova forte um mês antes, fiquei  hospitalizada uma semana antes...Sabia que tinha "pernas e cardiorrespiratório" para completar mas meu psicológico deu uma baqueada no km23. Como nunca estamos sozinhos nessa vida, tive o privilégio de ser "encontrada e puxada" por um corredor que me salvou daquele buraco negro mental...rs Entre conversas, trocas de experiências e algumas risadas, o psicológico voltou pro lugar e foi hora de auxiliar aquele mesmo corredor a concluir sua primeira maratona!

Quando eu corri meus primeiros 42km, tive a sorte de ter um anjo que me puxou no final e que sou grata até hoje. Neste ultimo domingo tive também a oportunidade de retribuir, seis anos depois, a "puxada" final na maratona e ver a alegria e a emoção da primeira maratona concluída, nos olhos de alguém. 

Nada é por acaso. E como eu sempre digo, maratona é uma lição de vida...muita coisa acontece em 42km...muita coisa MESMO! Eu sou grata por estar cercada de pessoas boas e poder conhecer tantas outras. As vezes é bacana se desligar do "tempo" e curtir o que a prova pode nos trazer: amizades, superação, autoconhecimento, fortalecimento. É naquele momento que você "quebra", que você percebe que pode sim ir mais longe...basta respirar, pensar, aquietar que a solução aparece ( e te chamando até de "guerreira!"). Talvez seja por isso que goste tanto de maratona...após esta 13.ª, a única certeza que tenho é que quero mais 13...depois 13...e outras 13!

Arquivo pessoal
Minha gratidão imensa ao coach San Palma (Carla Moreno Team) por tornar possível mais um sonho e me auxiliar a concretizar mais um desafio. Treino inteligente é isso!  Gratidão também aos amigos que vibram e comemoram junto cada conquista e aos novos amigos que chegaram com essa maratona. Aos meus pais, pelo suporte nas loucuras e curtição com as conquitas. E a Deus, infinitamente. 

Parabéns a todos que concluíram a prova ! Parabéns ao SESC PR pela excelente organização e acolhimento! Reconhecimento também ao trabalho da PRF, GM, Exercito e PM no percurso da prova. E também a equipe do Hotel Águas do Iguaçu pelo tratamento dispensado e educação de seus colaboradores.

Bons treinos e até a próxima!





15 de mai. de 2015

As somas: amores e dores

 Certa vez li algo na internet que falava sobre a “soma de todos os amores”. Era um poema, uma passagem, não me recordo. Vinicius de Moraes já falava que o amor verdadeiro é a soma de todos os amores, inclusive do amor ao seu semelhante.

Buzzfeed.com
Pois bem, isso está há dias na minha cabeça e não posso deixar de fazer uma analogia a nossa vida esportiva, seja triathlon ou corrida. Quando escolhemos um desafio – seja uma prova difícil, uma distância maior, um tempo mais baixo – empregamos toda nossa disciplina e determinação para alcançar aquela meta. Às vezes o tempo de preparação é longo, pode ser um ano, seis meses, talvez menos...mas serão semanas e semanas de abdicação e concentração.

Nesse ínterim da preparação muitas coisas acontecem: amores acabam, relacionamentos são rompidos, empregos que mudam (ou extinguem), mudança de cidade, problemas de família, saúde... enfim, há uma série de hipóteses que não são conjecturadas na tese inicial, isto é, quando nos inscrevemos em determinada prova. Mas elas acontecem e temos que lidar com isso, queiramos ou não.

E elas vão se acumulando sem que percebamos. O chefe que não ajuda, as contas que vieram mais altas, o filho que não obedece, a esposa que não compreende (ou vice-versa) e as tão temidas lesões! Ah, essas são o pesadelo para qualquer atleta, seja amador ou profissional. Trata-se, recupera-se e segue novamente. Até a próxima.

Quando percebemos, na reta final de uma preparação (ou no polimento) carregamos conosco a soma de todas as dores: físicas, mentais, emocionais. Fazer aquela prova é como deixar para trás todo o sofrimento, findar um ciclo, extravasar aquela fase de provações. E cruzar o pórtico é a libertação extrema, ou o resultado de toda aquela soma: que somos mais fortes do que imaginamos.

Arquivo pessoal
Ao cruzar o pórtico do meu IronMan, deixei para trás uma fase bem pesada da minha vida mas mal sabia que outra maior estava por vir. Porém, o ato simbólico de “sofrer” durante uma prova para qual me preparei por meses, de dar o meu melhor e realizar um sonho, serviu de marco para encerrar um ciclo. Um ciclo de muitas dores e, ao mesmo tempo, realizações. Porque toda dor traz consigo uma lição.


E assim carregamos, em cada desafio a que nos propomos, essa soma de dores. Mas são dores verdadeiras, como diria Moraes a respeito dos amores. São dores que vivenciamos diariamente, que a vida nos impõe, que está viva em nós, que se relaciona com outras pessoas. São dores que nosso coração no traz, que nossa mente cria e que nosso corpo sofre, mas que estão ali naquela avalanche de aprendizados e experiências que nos tornam humanos.

Espero que a cada ciclo saibamos reconhecer cada dor e junta-las para que, no final, a sua soma possa ser reduzida a nada, quando deixar para trás tudo que carregou consigo para chegar ali. Que ciclos comecem, findem, comecem novos outra vez. E que a cada um, saibamos contemplar o aprendizado e ter gratidão pelas vivências e oportunidades. A dor é um pouco amor e o amor também é um pouco dor, caro Vinicius. Porém que sejam verdadeiros, como você diz, pois então a somatória valerá a pena.


27 de jan. de 2014

Longoterapia

2012milesin2012.tumbrl.com
“Quantos km’s vai correr hoje?”
“30km”
“Nossa, pra que tanto??? É cansativo.”

Quem corre longa distância já ouviu isso muitas vezes.  Muitas pessoas, geralmente quem não corre,  acha que correr 20km, 30km, 40km é um sofrimento, castigo, uma punição.  Como se fosse um autoflagelo, uma expiação de pecados que fazemos, um masoquismo.

Se colocarmos na ponta do lápis, ou melhor, no mapa, de fato 30km, 40km é uma boa distância e que muitos percorrem apenas de carro. Mas para nós, corredores e triatletas de longa distância é uma terapia (manter a sanidade! Lembram desse post?). Só será sofrimento se você não estiver bem orientado ou deixar que isso aconteça (e eu confesso, já deixei isso acontecer algumas vezes).

Até um tempo atrás eu corria alguns dos meus longões com a cabeça a mil! Planejava a semana, o mês, o ano. Mil vezes. Organizava a agenda mentalmente, planejamentos, prazos. Era um tempo pra mim mas que eu não me desligava de mim mesma. E achava isso normal. Cabeça começava a mil e terminava exausta, pois além de estar cheia, ainda havia o desgaste do treino. Uma eterna batalha corpo x mente. Desligar-se era quase uma missão impossível pois sempre temos um problema pessoal, profissional, alguma preocupação ou algum fato que acontece antes de treinarmos e mexe na nossa concentração.

Foi então que passei a correr com a cabeça vazia. Sim, vazia! Sem pensar em nada, apenas controlando o pace (que sempre foi uma árdua tarefa) e observando o entorno, o ambiente. Percebi que posso dar 10 voltas no parque que cada vez terei uma paisagem diferente para contemplar, ganharei mais um bom dia e um sorriso. Isso é um ótimo combustível!!

No entanto, concentrar nem sempre é fácil.  E ficar concentrado 2h, 3h, 4h é menos fácil ainda. Nesse sentido, um psicólogo húngaro, Mihaly Csikszentmihalyi, desenvolveu a teoria do “State of Flow” (aqui tem um ótimo TED sobre ele), direcionado para a busca e bem-estar pessoal, mas totalmente aplicável nas corridas. Segundo ele, esse seria um “estado mental no qual a pessoa que está envolvida em uma atividade de performance fica totalmente imersa em um sentimento de energia e foco, totalmente envolvida e gostando do processo dessa atividade".

Csikszentmihalyi, ensina que para atingir esse estado leva-se tempo e requer dedicação, mas que, além disso, é necessário observar 6 requisitos essenciais:

HABILIDADE: praticar muito.
DESAFIO PARA BUSCAR: ter uma meta que te desafie mas que seja possível de atingir
TRABALHO EM CONJUNTO: ter orientação profissional
OBJETIVOS CURTOS: pequenas metas que reflitam o progresso da sua preparação
SISTEMAS : que removam suas distrações e construam novos hábitos
VALORES: principalmente intrínsecos que conduzam essa busca.

Na vida esportiva poderíamos facilmente traduzir:
  • Praticar e treinar. Sabemos que sem treino, não há progresso e nem vitória.
  • Ter uma meta, um objetivo que te desafie porém que seja possível de ser atingida, mesmo que com esforço. Metas inatingíveis vão levá-lo a frustração.
  • Objetivos a curto prazo para “medir” seu progresso. O feedback de pequenas provas irão dizer se você está no caminho certo ou não. No meu caso, comecei a treinar a cabeça vazia em pequenas distâncias, aumentando, fiz uma prova no fim do ano passado assim também. E fui avaliando onde melhorar.
  • Ter uma equipe para te orientar. Um bom treinador que trace contigo um planejamento adequado em busca do seu objetivo, que treine seu corpo e sua mente. Isso é essencial.
  • Sua capacidade de saber o que quer e correr atrás, sendo honesto consigo mesmo, sem se enganar. Remover o que distrai e atrapalha e passar a traçar uma rotina adequada com sua preparação.


Depois de 30km de “cabeça vazia” posso dizer que saí 30kg mais leve. Isso não significa que não cansei...rs Mas a cabeça cansou menos. Muito menos. Realmente foi uma terapia, você sai mais leve e sem a sensação de que longão é aquele dia na agenda que você vai cansar, sofrer e terminar acabado.
Fim do treino de ontem com minha mãe,
que me acompanhou de bike por 15k
Bora tentar? Seja 1km, 5km, 10km, a distância que for...Tenha certeza que isso irá se refletir também no seu dia a dia.  Por uma vida mais leve!

Bons treinos e boa semana!




24 de jan. de 2014

Correr uma maratona pra manter a sanidade

The Oatmeal
Não sei se acontece com vocês mas sempre tive a sensação de haver uma cobrança para que o atleta, principalmente amador, avance nas suas distâncias, seja na corrida ou no triathlon. 

Se já corre 10km, vem a pergunta: "quando vai passar para 21km?"; se já conclui meia maratona, há o questionamento clássico: "e a maratona?" - e pra quem já corre 42km a sugestão para correr uma ultra. Igualmente no triathlon, se faz short vem a cobrança para fazer olímpico, depois meio ironman até chegar no Ironman. 


Mas quem disse que "tem que fazer" isso ou aquilo???? 
Não tem norma, regra, exigência. Aumenta distância se quiser, se achar bacana, se interessar. Do contrário, não! Conheço muitas pessoas que correm provas de 5km e 10km e não pretendem passar dessas distâncias, assim como triatletas que fazem short e olímpicos e vão muito bem. Alguns porque se sentem confortáveis, outros porque é o limite de tempo para treinar diariamente e ainda há atletas que vão melhores em distâncias menores e enfatizam isso.

lostangelesblog.com
No entanto, um corredor inglês que não ligava se X, Y ou Z já tinha feito ou corriam mais que ele, descobriu porquê ele precisava correr maratona. 

Li um artigo interessantíssimo publicado há duas semanas no Jornal britânico The Guardian - Why I need to run marathons . Ele fala sobre como uma maratona pode interferir na vida de uma pessoa e se tornar fundamental para sua sanidade - e eu ainda ousaria adaptá-lo para qualquer preparação esportiva.

O texto escrito por aquele corredor inglês, o Tim Smillie, mostra como a maratona "salvou" a sua vida. Se preparando para sua 4.ª maratona, Tim conta que a preparação para a maratona é que mantém sua sanidade pois é ela quem diz o que comer, o quanto beber, quanto se exercitar e descansar. É a preparação que norteia sua rotina. E para ele isso é necessário pois Tim tem tendência a exageros - na comida, bebida e consumo em geral. Dessa forma foi uma maneira que ele encontrou para manter o controle, uma vez que já havia usado antidepressivos (que não funcionaram por não se tratar de depressão propriamente dita), técnicas de meditação (que auxiliaram até certo ponto) e aproximou-se do Budismo (que foi muito útil porém não o afastou das caixas de doces). 

Preparar-se para uma maratona foi algo especial pois ele passou a dedicar horas do seu dia para isso, não só nos treinos, mas também pesquisando dicas, relatos, equipamentos e planejamentos na internet. Isso tornou, como ele mesmo disse, uma identidade "semi secreta" - O CORREDOR - que buscava superar seus limites e bater seus recordes.

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Acredito que no fundo o esporte causa isso em todos nós - ou grande maioria. Quando estamos nos preparando para uma prova seguimos a risca o planejamento feito com o treinador, a alimentação específica, hidratação, suplementação, repouso, pesquisamos bons equipamentos. É a disciplina que o esporte - seja corrida ou triathlon - nos trazem. Quantas vezes não trocamos ideias com amigos, pesquisamos novos suplementos, provas interessantes, passamos horas na internet em função da nossa preparação? O que acontece com o Tim, acontece com muitos de nós. 



Seja maratona, meia maratona, Ironman, meio Ironman, independente da distância, há uma preparação. E é justamente ela quem nos mantém "sãos" nesse mundo doido em que vivemos. Então, maratona é coisa pra doido? Sim!! Pra quem é doido por manter sua sanidade e sua saúde!

Bons treinos! Nos vemos por aí!